Conceito da logomarca do projeto VICUNHA | 40 ANOS
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Unificação

 
Segundo um respeitado cientista francês chamado Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829), os seres vivos tiveram de se transformar para melhor se adaptarem ao ambiente. Assim, ele explicava que a girafa, no passado, tinha pescoço curto e à medida que faltava o alimento mais rasteiro era forçada a esticar o pescoço para comer as folhas do alto das árvores. Com isso, seu pescoço foi se desenvolvendo pelo uso freqüente e a característica adquirida (pescoço cada vez mais longo) foi se transmitindo aos descendentes, de geração em geração. Conclusão: depois de séculos, as girafas tinham, então, o longo pescoço que observamos nas girafas atuais.
 
Essa é uma das inúmeras teorias sobre a evolução dos seres, que em bom português, nas palavras de Mendel Steinbruch, poderia se resumir em: “Quem não muda vira pedra”. Era exatamente isto que ele costumava dizer, e não à maneira do “faça o que eu digo, não o que eu faço”, pelo contrário, sua travessia gloriosa por diversas décadas e a diversificação de seus negócios provavam que sua máxima não era apenas uma teoria, e sim uma receita de sucesso. Afinal, o homem – assim como a girafa do exemplo acima – precisa estar em constante evolução para se adaptar às mudanças dos novos tempos.
 
E com a Vicunha não foi diferente: em 1994, a previsão para os próximos anos não eram nada favoráveis.
 
O falecimento de Mendel Steinbruch precedeu um dos períodos mais turbulentos da Vicunha: a unificação, ou seja, a junção de todas as empresas do Grupo, formando o que hoje é conhecido como Vicunha Têxtil.
Uma transformação que já era ensaiada há tempos, mas que talvez pela sua magnitude e complexidade fosse sempre adiada. Porém, a partir de 1994, a tal mudança precisava ser encarada de uma vez por todas, e começou a ser estudada com mais afinco, analisada por diversos ângulos, para que em 1999 começasse a ser colocada em prática, definitivamente.
 
Um período difícil, tenso e exaustivo, que lembrava o início da Têxtil Elizabeth, quando Mendel e Eliezer varavam noites dormindo sobre rolos de tecidos para verem um sonho em comum prosperar. A única diferença é que os irmãos não estariam mais ali para isso, cabendo aos colaboradores essa experiência única.
Mas o comprometimento com uma causa só é possível quando se tem um ideal, um sonho em comum, uma vontade de ver as coisas darem certo. A história de todas as empresas do Grupo Vicunha mostrava isso: grandes feitos nunca são solitários. E assim, motivados e em busca de algo comum, todos arregaçaram as mangas e foram ao trabalho.
Se estivesse vivo, Mendel se encheria de orgulho de seu pessoal – a Vicunha era e sempre será um grande time, como ele sempre idealizou.
 
 
A dificuldade une as pessoas
 
O objetivo das mudanças era mover todas as operações baseadas em algodão e suas mesclas para o nordeste e centro-oeste, e as operações do sul do país (lãs e tecidos para vestuário masculino) para São Paulo, onde permaneceriam os sintéticos, como poliéster, viscose e nylon. Isso traria maior sinergia entre as empresas, além de maior rentabilidade e flexibilidade operacional e logística, o que resultaria também em desenvolvimento de novos produtos, na integração das áreas comerciais e no gerenciamento de grandes clientes. Ou seja: uma movimentação gigantesca que garantiria à Vicunha uma das maiores operações privada do país.
 
O primeiro sinal de mudanças, para os colaboradores, foi com a implantação do modelo de administração corporativa.
Durante o processo de unificação muita gente teve que se adaptar a novos lares e uma nova rotina. Era muito comum um colaborador que morava e trabalhava no nordeste, por exemplo, ser transferido para São Paulo (e vice-versa). Embora todos falassem a mesma língua, era inevitável que quem chegasse se sentisse um estrangeiro, uma espécie de forasteiro.
Quando não passavam noites em claro, essas eram bem ou mal dormidas em quartos de hotel, longe de suas respectivas famílias, que recebiam visitas, quando muito, nos fins de semana. Teve até quem não viu o filho crescer, na época.
Mas não havia tempo nem clima para resmungos. Apesar das intempéries – que não eram poucas –, todos pareciam ter consciência de que poucos profissionais têm a oportunidade de passar por uma unificação, e talvez nenhum deles passasse por outra experiência parecida novamente. Era preciso aproveitar, tirar uma lição daquilo tudo. Era preciso mergulhar naquele turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo e voltar com uma carga maior de experiência, com novidades.



Fim da sociedade Rabinovich-Steinbruch   Estande da Vicunha no São Paulo Fashion Week   Logo do Projeto Avança Vicunha  
  Vicunha recebe Prêmio Cidadania   Estande da Vicunha na Shangai Intertextile   Logomarca La Internacional


 
 
 
Um dos momentos mais dramáticos na história da Vicunha foi, com a fusão das empresas, ter de demitir funcionários. A palavra subtrair nunca fez parte do dicionário de Mendel, que sempre somava para, em seguida, multiplicar. Mendel sempre se preocupou com todos que trabalhavam com ele. Percorria os corredores da Vicunha perguntando pela família de cada um. E se alguém reclamava de um ente querido doente, o patrão estendia o assunto, pedia detalhes, e sempre tinha dinheiro no bolso para aquele remédio que não estava previsto no orçamento.
Mas em 1996, a contra gosto, houve mil demissões. E mesmo após todos os direitos trabalhistas de cada colaborador terem sido pagos pela Vicunha, integrantes da Força Sindical ocuparam uma fábrica em São Paulo até que a empresa conseguisse a reintegração de posse na justiça.
 
 
Novos tempos
 
Em 2001, a Vicunha já era a maior empresa têxtil da América Latina. Com o processo de unificação terminado, deu-se início ao de reestruturação, ou seja, tempos de colocar a casa em ordem. Deixaram de existir Vicunha Nordeste, Vine Têxtil, Fibra e Fibrasil. Todas foram abrigadas sob a chancela Vicunha Têxtil S.A., a pessoa jurídica que surgiu após a reorganização societária do grupo. Os interesses em siderurgia passaram a ser administrados pela recém-criada Vicunha Siderúrgica (com 46% da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN). Já as outras participações, como fazendas e imóveis, foram acolhidas na Vicunha Participações.
 
Uma das principais ações de reestruturação da Vicunha Têxtil foi a realização do Projeto Avança Vicunha, que teve como objetivo principal a implantação de um sistema único e integrado de informações. Tudo para suportar o novo modelo de gestão da organização, atualizando os sistemas de informação e padronizando os processos da empresa, o que significa maior agilidade em todas as etapas de trabalho.
 
Em 2002, Ricardo Steinbruch (filho de Mendel) assumiu a presidência do Conselho de Administração da Vicunha Têxtil. No mesmo ano em que a empresa foi premiada por um exercício que Mendel costumava fazer sem alarde: Prêmio Responsabilidade Social Abitfashion 2002 pelo projeto Vicunha Educação, que também mereceu o reconhecimento do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Cidadania e da Câmara Brasileira de Comércio Árabe-Brasileira. Uma prova de que a Vicunha não se preocupa somente com a modernização de seus processos e com a qualidade de seus produtos, mas também com a formação de cidadãos ativos e conscientes de seus direitos e responsabilidades.
 
Em 2005, outra grande mudança: os Steinbruch compraram a parte dos Rabinovich, rompendo uma das sociedades – ou casamento, que era como os sócios a definiam – mais felizes da história, em todos os sentidos. O motivo do fim da sociedade era a vontade que os Steinbruch tinham de ficar mais próximos da empresa, com Ricardo assumindo a presidência executiva do Grupo, levando adiante as conquistas de Mendel e revelando, tempos depois, uma vontade oculta de seu pai: “O sonho dele era ter um trailer para viajar com a família”.
 
O processo de reestruturação também chegava ao fim. Era hora de dar continuidade à bela trajetória traçada por Mendel, um homem que havia começado do nada no estilo “é errando que se aprende” e que era lembrado sempre com admiração em renomados cursos de MBA, com um prestígio que não conhecia fronteiras: era respeitado internacionalmente.
 
 
Vicunha hoje
 
Consolidada e reconhecida mundialmente, a Vicunha é hoje um dos maiores players do mercado.
 
Iniciou suas exportações em 1982, já tendo exportado, nos últimos anos, para mais de 80 países, sempre de 35 a 40% de sua produção. Conta com 4 escritórios fora do Brasil: na Colômbia, Argentina, China e Europa, que são verdadeiros satélites quando se trata de tendência, seja de moda ou de tecnologia.
Afinal, a Vicunha sempre apostou na moda brasileira e projetou o Brasil no circuito internacional, participando de eventos, aliando-se a estilistas brasileiros e mantendo uma relação estreita com os clientes. Esta interação se intensifica com a participação como patrocinadora do São Paulo Fashion Week (até 2006) e pela presença em feiras, como TexWorld (Paris), Magic Show (Las Vegas), Colombiatex (Colômbia), Munich Fabrics Start (Alemanha) e Intertextile Shangai (China).
 
Em 2007, com base na filosofia de Mendel, Ricardo comprou a La Internacional, a maior e mais antiga indústria têxtil do Equador. A nova aquisição representa um passo importante dentro do plano de internacionalização estabelecido pelo grupo no início de 2007.
 
 



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